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AUTOESTIMA: POR QUE ENXERGAMOS MAIS DEFEITOS DO QUE QUALIDADES?

há 2 dias
4 min de leitura

Atualizado: há 1 dia


Cartaz cinza da VYE com retratos de duas mulheres e um homem no espelho; texto Love Your Body e perfis de Virginia Dini e Michelle Duarte, profissionais da VYE.

Por que somos tão bons em enxergar nossos defeitos, mas tão ruins em reconhecer nossas qualidades? Essa pergunta nos leva a refletir sobre a autoestima, a relação com a própria aparência e a maneira como aprendemos a nos enxergar.


Quero começar te fazendo uma pergunta: você já parou para pensar na forma como fala de si mesmo? Não apenas quando alguém pergunta o que você gosta em si, mas também quando se olha no espelho, comete um erro, recebe um elogio ou se compara com alguém. Tenho a impressão de que somos muito mais exigentes conosco do que seríamos com qualquer outra pessoa. Se uma amiga está insegura, sabemos acolher. Mas, quando a insegurança é nossa, parece que a compreensão desaparece.


Isso também acontece com a aparência. Quantas vezes olhamos no espelho e enxergamos primeiro aquilo de que não gostamos? O cabelo, a pele, o corpo ou alguma característica do rosto. Às vezes, uma única insatisfação parece apagar tudo o que temos de bonito.


Foi pensando nisso que surgiu a nossa pergunta da semana à psicóloga Michelle Duarte, parceira da VYE: como lidar com a autoestima fragilizada e aprender a reconhecer nossas qualidades sem deixar que as inseguranças definam a forma como nos vemos?


Por que temos dificuldade em reconhecer nossas qualidades?


Às vezes, recebemos um elogio, mas pensamos que a pessoa está sendo gentil. Conquistamos algo importante, mas logo encontramos outro objetivo. Quando a insatisfação envolve a aparência, podemos passar tanto tempo tentando mudar nossas características que esquecemos de reconhecer o que já temos de bonito. Querer mudar algo não é um problema. A dificuldade começa quando acreditamos que precisamos mudar para sermos bonitos o suficiente ou finalmente nos sentirmos bem conosco.


As redes sociais também entram nessa história. Vemos pessoas com corpos, peles e rostos que parecem perfeitos e, mesmo sabendo que estamos vendo apenas parte da realidade, começamos a nos comparar. Mas será que faz sentido usar a aparência de outra pessoa como medida para avaliar a nossa? Podemos cuidar da pele, mudar o cabelo ou desejar alguma transformação sem fazer disso uma condição para nos sentirmos bem. Vale observar o que essas comparações despertam em nós e estabelecer limites para aquilo que alimenta nossas inseguranças.


Como melhorar a autoestima? As orientações da psicóloga Michelle Duarte.


Na nossa pergunta da semana, a psicóloga Michelle Duarte compartilhou orientações para quem está com a autoestima fragilizada e começa a enxergar constantemente mais defeitos do que qualidades. Entre os pontos destacados por ela, estão:


Busque ajuda psicológica.


É importante compreender desde quando isso ocorre e quais são as causas que contribuíram, para que os sintomas sejam devidamente tratados. Esse é um processo que exige análise, acolhimento e escuta especializada.

Adote práticas mais conscientes.


Amenize hábitos repetitivos que promovem sentimentos de autocobrança ou culpa em excesso, como a prática de exercícios físicos, a checagem de peso ou a compensação de ganhos com perdas.

Faça as pazes com você.


Seja gentil com você mesmo. É preciso agir com mais paciência, observar seus sentimentos e comportamentos e sair do automático. Entenda que a perfeição não precisa ser urgente. Por isso, um passo de cada vez.

Fortaleça sua rede de apoio.


Não tenha medo de expressar suas inseguranças e seus medos em relação à aparência para as pessoas em quem confia, evitando o acúmulo de pensamentos acelerados e negativos.

Faça um detox de tudo que te afasta de si mesmo.


Evite estar nas redes sociais o tempo todo, imponha limites na convivência e aprenda a lidar com ambientes que despertem estresse diário.



As orientações da Michelle nos lembram de que fortalecer a autoestima envolve compreender nossas inseguranças, observar hábitos e construir relações mais saudáveis conosco e com o ambiente ao nosso redor. Cada pessoa tem seu próprio processo, e buscar ajuda profissional pode ser um passo importante nessa jornada.


É possível cuidar da aparência sem depender dela para se sentir bem?


Enquanto escrevia este texto, fiquei pensando em quantas vezes deixamos para gostar de nós mesmos depois de emagrecer, mudar o cabelo, melhorar a pele ou alcançar determinada expectativa. Mas e se esse momento nunca chegar exatamente como planejamos? Sempre pode existir uma nova característica para mudar ou um novo padrão com o qual nos comparar.


Podemos cuidar da aparência e buscar transformações sem deixar que a insatisfação determine como nos enxergamos hoje. Você pode querer evoluir e, ainda assim, reconhecer sua beleza agora. Pode identificar algo que gostaria de mudar sem reduzir sua identidade a essa característica. Para mim, essa é uma reflexão importante quando falamos sobre beleza e saúde mental: o cuidado com a aparência também precisa abrir espaço para o respeito à pessoa que existe por trás dela.


Queria terminar te deixando uma pergunta: você tem se olhado com carinho ou tem esperado mudar sua aparência para finalmente se sentir bem consigo mesmo? Talvez a resposta seja um bom lugar para começar.



Virginia da VYE

Uma reflexão minha, construída a partir das conversas sobre beleza e saúde mental com Michelle Duarte, psicóloga e parceira da VYE.




1 comentário


Talvez tenhamos aprendido a nos cobrar mais do que nos acolher. A autoestima também é aprender a olhar para si com mais gentileza, reconhecendo que nossas imperfeições não anulam tudo aquilo que temos de bom.💗🧠✨

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